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Poemas de Mario Loff, inspiradas em gentes de Tarrafal...

20 Poemas de Mario Loff, inspiradas em gentes de Tarrafal, para serem lidos antes da chegada das festas de Santo Amaro.

foto: M. Cultura CV
1
é. a cidade foi o seu rosto de susto,
depois, foi-se a meter como freguesia,
dentro do seu corpo.
a cidade foi só ele, sem, resistência.
quase que esquecemos de ser, por momentos. só grandes mudos.
aquele lugar mais a norte que rompe,
onde nasce a iniciação e todo o promontório, de maus homens,
cheios de bons costumes, antepassados costumes.
ainda que os deuses andam a estagiar nessas nossas maneiras estranhas,
de ser um mero homem, já quase sem nome com idolatria no sangue.
era só uma voz que ecoa por toda a parte da cidade.
as vezes a cidade era um buteco plantado de mariposas.
ali perto dos olhos, todas as fragrâncias e traços das agua:
migram para dentro as suas próprias lágrimas,
era só um homem grosso que quebrava em pé,
mais a frente não se entendia porquê crescia mais que o corpo,
talvez fosse ele o homem do seu sorriso, se não, é a extensão do monte, graciosa
andavam a viver disfarçados um, na cara do outro.
talvez uma cabeça inteira fosse mais importante que certos papeis,
timbrados para amputar certas portas,
mesmos as invisíveis, a varapaus e cabeçadas em grossos ventos e chuvas,
as vezes empurravam o país, e por aí ficamos
e por aí ele ficou.
talvez, era só a entoação da morte
entoando as canções de outono nas folhas,
de um coração que demora em mudar de maneiras vivas,
em pele meramente humana,
que gasta, sangra e morre.
depois nem isso, nem nome,
nem a imagem do homem,
só medo das coisas
sem espanto e sem a cara.

2
um gangue de ladrões ouviram boatos que o senhor fuentes, idoso do fim da rua da cidade de miraflores, guarda uma grande fortuna dentro da sua casa. um dia invadiram a casa e, mexeram em tudo e, todo o lugar ficou irreconhecível. no entanto, não encontraram nada, e lembraram do sótão, onde encontraram o pote velho.
arrancaram o recipiente com ganância, ansiedade e pressa. havia uma enorme curiosidade de saber que tipo de tesouro havia no interior. só cartas. somente cartas no pote. cartas de amor. as cartas foram escritas pelo fuentes e recebidas pela senhora enesita sanfuego durante cinquenta anos. o seu grande amor que lhe respondia todos os meses pelo correio.
os ladrões levaram o pote e as cartas, mesmo assim. agora, todo o final do mês depois de serem lidas e analisadas os, ladrões reenviavam uma carta pelo correio.

3

só por esse tempo,
só por agora ficamos com existências de ficar com olhos negros.
manteremos em tempos de obesidade e de todas as genialidades e cheios bons atos.
muitas bocas, muitas palavras, muitos dias que têm falado de nós.
têm sido isso. obesidades nas mãos de quem mutila frutos da terra.
têm sido corpos obesos por dentro secos, animais obesos com muitas ganas. obesos, nos temos aprendido a ser gordos por dentro.
contra distanciamento,
e outras tantas verdades falecidas.
acabou alongamento do braço e chibatas no lombo.
só por agora. seremos obesos.
o dorso do boy africano está cheio de banha, com astúcia dos homens
com acentos nas grandes mesas, e todas a humanidade corre em grande competição de se ser obeso.
em tentativas de enfrentar o polígrafo.
só por esse tempo temos tentado ser pretos, barbudos, olhos cheios de letras, distorcendo aquela áfrica
moribunda e se metia facilmente pela bunda e, so as vezes com submissão, permissão, traição.
inesistencia de homens com coração negro.
temos tido em conta, em alta atenção,
com banhas, com cobras saídos de nós mesmos,
aprendendo, sem ser notado.
temos sido isso. homens pretos.
com coisas para dizer e, formas para contar junto a um baobá.

4
eu tenho essa manha de não respeitar as palavras. aqui onde vivemos, não se respeita em demasia as palavras. ela em se tem de ter o seu próprio respeito. escreva aí "respeito" toda ela está está incluído nela mesma, se usamos, todos nós já estamos incluídos, resta saber, se por dentro de nós o que anda a desembrulhar, a nós confundir faz de nós pessoas de um possível eterno respeito. eu nasci aqui, nunca fui tão longe a não ser o meu lugar, nas azáguas eu levo a família, amigos e o meu espanhol, o meu burro espanhol.
entende ele o meu nome. ruberto. eu sou um bom homem. só isso. não um grande homem, um grande homem não sabe montar um burro, não sabe educar um burro, não sabe se sentir burro. não é que dou burro, sou só domador dos burros. eu entendo isso, educar um burro é necessário ser paciente, por vezes desrespeitar as palavras, eu sou paciente em compreender o meu burro espanhol.
tenho sido bom homem. eu vivo na parte mais alta de colhe bicho, para chegar até mim terão de olhar para cima, só quem é um bom homem se abre os olhos e a cara para chegar tão perto da felicidade, onde eu vivo também vive a felicidade, gentes que enlouquece a o caminho da desgraça e, diante dela inventam pirasas, eu tenho chegado perto de muitas gentes, as palavras me faltam se estou longe de algum lugar como kanbadu, kaldu pexi. fui pedreiro vi a cidade crescer, têm restos dos meus dedos gastos em argamassas. de todas as obras que faço, o orgulho me tem cansado a lucidez, ao olhar para os filhos, filhas e netos, são pedaços lindos e lindas do ruberto. rubertao.
um dia nas nossas falas enquanto apanhamos djedje em monte covada tinha perguntado o porquê de não gostar de ir à igreja. ele amante de silêncio, uns instantes de silêncio depois me respondeu. eu deixei de ir à missa para quando um dia voltar a igreja, para nunca mais regressar a casa. até hoje temos ficado assim. só com as memórias.

5

as coisas não têm que ser sempre assim.
a luta entre os dedos, a guerra entre os pés.
os dentes ganham antebraços
ganham homens de dentes serrados.
soco entre os dentes, sorrisos de cara a cara.
não, não. as coisas não têm de ser forçado,
sempre a um certo ritmo.
quando chegar a esta prisão de nome mundo
e sentir que hoje não deu certo
volta a carregar o mundo as costas. será sempre só mais um mundo
feito por si, dará uma nova volta nela.
tente ver em um certo estilo debaixo para cima
haverá coisas certas, como perigo, acertos e desacertos
norte por remendar com noites mal anoitecidas.
há uma coisa que andamos sempre a procurar
a nossa porta que andamos a desconhecer
ela é azul e tem nome. universo
do que viemos, perdemos em reencontrar
demoramos em construi-los dentro do nós
pelo que andamos a fazer, pelo que julgamos que temos feito.
o necessário para o mundo cruzar os dedos
o necessário as vezes são olhares para dentro do mundo.
só precisaremos de mudar a finta
esquivar dos astros grandes.
meteoros com grandes raivas deles mesmos
e homens cheios de nada que mal se explodem tudo se acaba.

6
tudo vai passar. a menina da rua estreita que entregava pedaços de fartura. o choro da criança dos anos trinta e a fome que finta aquelas datas marcadas de desnutrição. tudo vai passar. a fome cantada na década de quarenta, homens de "enta" que foram na vinda sem antigos abrigos na barriga. tudo vai passar, aqueles arames farpados, o primo português, o preso sem peso, feiuras do estado novo. tudo passará, até eu que nem sei escrever um poema que cabe numa grande mulher. tudo passará. essas peles da antiga juventude, num tempo que se ilude. ou morre-se, ou vive-se morrendo. tu já não morre. tudo passa, até morte passa de uma só vez. o mundo tem girado no canto da boca, num mundo à parte, ao norte que sopra vitupérios. e tudo passará. quem saberá escrever um poema para um livro vivo. é necessário antes que tudo passa e a memória perca glória.

7

tape-nos só por hoje graciosa
a parte. desde os antigos dias até hoje, ela tem aparecido como se fosse um mundo cheio de elefantes e dinossauros extintos por dentro e, figuras geométricas no sentido de “stop” diante do simplício a fazer coisas que saem da ponta dos dedos com artimanha das antigas velhices já herdados dos homens que morreram com os pés rachados a fugirem de chabrolas negras e outros homens que se perderam dentro deles mesmos vestindo pele branca.
falei muitas vezes sobre os olhos que abrem a frente da rocha e, até hoje ela insiste em tapar a sua boca. tapa-nos a todos até o fundo dos olhos e visão. possivelmente se quisermos olhar a outra parte, teremos de ver um pouco mais a cima, como tinha dito o amigo pescador, temos de ver para lá do que se vê, ao redor tem o mar fingidamente azul.
ainda para um tal metamorfose que insiste em não se efetivar. tem arreias brancas que insiste em ser açúcar, coqueiros que insistem em ser talheres, o mar que insiste em ser leite e a redonda que é um prato. naquele tempo, pessoas comeram essa ilusão e nunca mais a fome chegou a matar. no final, só a fome do papam foi simpaticamente assinado.
para se ver essas coisas no norte, temos de levantar a cara, temos de esticar qualquer coisa como se fosse frase dentro de tensão alta, haja remédio para tanta tensão alta. provavelmente nascemos todos orgulhosamente graciosos de dentro das graciosas. essas mulheres maiores que os seus úteros de ferro cheios de canseira masculinas durante o dia e a noite se esquecem de ser mulher e só. mães. têm sílabas que assustam quando educam, com substantivos ativos e pronomes que tem perdido fome e nas mãos delas só têm. cravos, cortes da faca, pão que perdeu fermento, pau de enxadas e corte feitos pela vida.
nós os frutos que têm sido alguém, por vezes irreversivelmente limitados quando olhamos a graciosa e ela insiste em tapar-nos os olhos. atrás da graciosa tem mais vida e mais bazofiaria para serem exploradas pelos tarrafalenses, tem mais continuidade.
diz o poeta velho numa das nossas conversas da tasca, que em cima da tal senhora silenciosa, tem um nascente que insiste em ter pena das gentes da cidade. esse tal nome

8

memórias da madrugada

por mais que caia chuva na terra e molhe as ilhas, a água que corre nas ladeiras, rochas e entra no mar e invade os oceanos serão sempre uma ajuda vinda do céu a essas terras de ilhas que andam conforme os passos dos homens na terra, ora branca, ora negra. e finalmente mestiça. estes serão sempre felizes, de calças arregaçadas até pernas e marcas que não são indicações de lugares, mas sim sinal de lida, criação dos filhos, aqueles calos que afloram nas mãos feito mapa das ilhas onde os homens se reinventaram olhando uma cara sem a própria cara porque revoltamos centenas de vezes por dentro por muitas coisas e mantemos sempre salvo, por sermos naturais da terra seca e as vezes verde, se revelássemos todas as nossas ânsias e frustrações em nossos corpos e cara, o que seriamos? seria aquele que se metamorfoseia porque está acostumada a ser seca por dentro e esperançosa por fora.
poucas coisas que se formaram e ocuparam a terra passaram a ser certas imagens  de desinteressado olhar de quem é artífice por circunstância. nem os homens que aprenderam a tocar gaita e inventaram o funana, nem mulheres que arrumaram um canto bem posicionado em algum bairro de terra batida e o chamaram de terreiro, as mulheres de mãos juntas e de dedos esticados retirando o som da txabeta, que chamam luz ao batuco e tem germinado nessas gentes, a melodia do próprio batuco, mais aquelas de santiago, nem homens de coração manso e de espírito leve, que soltaram melodia e a morna, foram sentir a gratuitidade das coisas que a terra dá, mas, o povo das ilhas para não desistir da sua existência e da conquista no meio do impossível confortavam-se na musica e na bruteza da terra. os homens das ilhas não encontraram esperança de graça na pedra que ainda mantém o silencio das grandes obras que permitiram chamar esta nação de  país. estão em silencio, completamente em silêncio as pedras desta terra, elas sempre estiveram aqui. nós só chegamos há menos de cinco séculos e passamos a ser chamados de cabo-verdianos, a última raça da humanidade. aquele filho de uma negra e de um branco, aquele que se cortou, no apelido, com o tal parente africano, aquele que sorriu por ter lhe ter sido posto o apelido do homem branco, que carregava chicotes e a noite fazia uma carrada de mulatos, que depois foram conhecidos por cabo-verdianos. antes de nós no mundo já havia quase todas as raças. mal o branco dobrou o atlântico ganhamos vida e nome como boas gentes de pele menos escura e algum significado em ser o grande branco da terra. a terra era nua, o vento ainda é nu, a pedra é silenciosa, ainda eles nos percebem e somos apenas uma carrada de mulatos procurando o irmão africano que nasceu aqui e foi só um escravo vendido às  outras terras e ficamos sós. órfãos de referência e andamos a falar na ciência de olhar por detrás do pensamento. sem pais e com mães com excesso de canseira e injúria escrita no seu próprio nome.

9

nós os familiares sem tios.
"o lobo veste carapuça,
e tem intimidades sem minina profundidade"
há um mapa esfomeado de direcção
no interior da barriga
e chamam os homens de mendigo e esfomeados.
há um mapa no interior da barriga que tem saciado
o corpo com fumos de maconha e caminhos secos que desvanecem nos fumos.
carne pela carne que se perdeu nas fomes antigas já sem datas.
o sono pelo sonho e sem cobertores e possivel familiaridades.
inquietudes de quem esbarra no barranco das mortas utopias.
há um mapa da nação, com dedos e sem nada nas mãos,
que mostram homens perdidos
com armas velhas desfolhando sem propósito
uns até vivem ao pé da igreja e sem religião
há sinais deles, velhos, mendigos, esfomeados meio heróis vagabundos.
tem ficado homens na praça adquirindo as ranhuras no corpo.
há homens na praça que não se saciem a fome,
tem nome e não sabem quem são, são veis sanguíneas, têm fome.
tios imperfeitos sem família no meio do mundo,
eles conhecem os lobos da cidade, sem sangue, ladrões de caminhos de casa.
eles que assaltaram a nação com armas novas, perigosas, cheios de gravatas.
há mapas e homens que andam a morrer de barriga larga e por dentro
um coração no centro do mundo, sem sangue feito flores mal cheirosas.
há uma nação no centro dos homens procurando um país,
cheios de iphone no lugar de instruções,
megafones com patrulhas gráficas em estilo democrático,
trombetas bestas e bem-feitas.
há homens com mapas nas praças prontos
a serem donos da nação, eles estão cheios de silencios e de dedos em pé
logo que o eleitos do sol terminarem de contar.
a desgraça na cara do homem que sorri no papel timbrado.
em tempos que as armas são as velhas mapas
é inútil certos tipos de sangue e certos derramamentos.
não haverá guerra, nem se quer haverá sangue. só os mendigos no topo
eles apresentam-se. antes que o seu tempo passa tornam-se sol sem equilibrio
e vem toda a desumanidade.
ai começa o futuro. e todos os homens comem sem dormir na praça.

10
quando o jato passava.
quando passava o jato, desde céu até o interior da casa ela escutava o som daquela máquina. confirma-se, já é madrugada, canta os primeiros galos, confirma-se o contrabando do crepúsculo antes da boca do dia abrir.
ao lado, na nossa cama no quarto do fundo do quintal, os manos dormiam, uns a mudarem de posição na cama, outros a falarem com as suas invenções de personagens.
no céu da boca da minha mãe foge as primeiras palavras antes do segundo galo.
- levanta rapaz, aqui temos lida em construção de vida. venha meu rapaz, venha meu filho.
qualquer filho gosta de ouvir essas palavras da sua mãe.
-queres ter coisas com préstimos acorde cedo e, gasta uma parte de ti a fazer e aprender o que realmente gostas de fazer.
eu gosto de pastorar as palavras, provocar desobediência nelas todas. então vais ser uma coisa tipo poeta.
desde aqueles tempos ela tem deixado de falar de leitura porque escrevo, tem deixado de me acordar porque dei parte de mim e aprendi a não dormir o sono atrasado.
ela tem sentido só no seu novo mundo, inventado outras formas de forjar filhos na presença dos netos.
eu só lamento junto dos meus irmãos. agora escrevo e ela não pode ler. tem sentido a minha presença quando estou em silêncio, tem sentido o mundo no seu mundo escuro, mas fala das nossas cegueiras.
um dia desses irei terminar de ler o ensaio sobre a cegueira a seu pedido.
me tem dito que a sua cegueira não é contagiosa, mas sim, pegajosa. e os jatos que agora passam sem fazer barulho e, andam ainda mais alto, feito o profundo silêncio desta minha cegueira.

11

dia do #livru_e_professores

sempre gostei de dar aulas, até hoje tenho amigos que foram meus alunos e ainda me chamam de professor.
sempre admirei os professores e esta profissão que precisa de dom e espanto das pessoas vocacionadas para desempenhar.
nunca gostei de ser chamado de professor, ser conhecido como professor. esse nome sempre me assustou, ser o exemplo, o modelo o guru de alguém. não sei se é por minha exigência pessoal que nego esse tal senhor tão antigo.
lembro-me que dei aulas com 19 anos e o meu aluno mais novo tinha 16 anos e o mais velho 51 anos, aprendi mais do que ensinar com eles, levei em primeiro lugar a humildade no meu dia de estreia e no primeiro dos últimos dias de aula. deixei claro que não sabia nada e estava lá para aprender com eles, quase todos eram professores. de certa forma deus me deu essa hipótese de ser professor de professores, e eles sendo professores ensinando professor. foi uma experiência que jamais esquecerei.
hoje leio, e sinto mais medo de ser chamado de professor porque o conhecimento não pertence a ele, é preciso aprender a reaprender e a aprender sempre.
há dias a minha professora de primaria disse a minha filia que eu ficava em silêncio no fundo da sala, e hoje ela entendeu através dos meus escritos o que ia na minha alma. feliz dia dos professores e do livro.

12

hoje eu te vi de outro lado e os meus ossos concordavam comigo.
hoje eu te vi de outro lado e não tinha o espelho,
tu ainda estás linda como a lua do sul, gaivota fitando o lobo e essas palavras saem como uivos desencantados.
hoje eu te vi para dizer só isso.
silêncio. aliás sentir a distância. e nada mais se sentiu, nada mais se cantou a não ser ter certeza que hoje estavas mais linda que noutros dias.
hoje mais uma vez eu te vi como furacão que espreitando o soletramento do sentimento, virei o corpo e o coração e mesmo assim me penetrou na cabeça, costas e o coração. ainda me lembro que hoje eu tinha te ganho em meus olhos, tu estavas linda.

13

instruções
os homens deveriam só fazer menções a certas coisas de mulher.
e as mulheres só queixarem de menstruações,
coisa mais sem luxo e, com cor.
os homens deveriam gritar quando passa uma barata.
e que elas sorriam como tontas.
e as mulheres têm de cair na tentação de trocarem tacão,
pela atenção de um grande homem. grande suficiente no amor
e pregação das instruções e afazeres.
que tenha duas grandes palmas da mão
para agarrar os filhos e a mulher por ambos os lados do sentimento.
o homem deveria se sentir mulher,
para não dar. nem no calor ou no frio.
nem oferecer o fogo da boca, dedos e punho,
sobretudo, quando os dois fechem alguma coisa,
pode ser um grande abraço ou aperto de mão só por aperto,
talvez quarto escuro,
onde se faz coisas rápidas que duram nas nossas semelhanças.
até que sejam separados pelo coração da terra,
sem esquecer que nascer é um caso profundo e molhado,
cumprido, demorado e feliz.
elas sentem a dor do espanto e da continuação. homens não.

14

tarrafa
fizeste bem em partir para longe da tua morte
tarrafa, afinal,
fizeste muito bem a montanha vistosa,
todos nós temos observado a própria graciosa,
fizeste muito bem em partir
eu também parti para o norte
há muito que temos encontrado em tarrafal.

15

vai-se lá saber o porquê que jamais abandonaste esta terra seca ao menos na memória. vai-se lá saber a morte dos massapés ou chocolates no teu corpo da cabeça até os pés. vai-se lá saber porquê anda as chuvas longe das terras e das ilhas. vai-se lá saber o porquê dos teus lábios secos a espera da milagre dos homens e diques das mãos calejadas do homem simples. vai-se lá saber o porquê que não te ambondones a beira de um princípio a espera que essa esperança traga o nome ao país. vai-se lá saber mulher.

16

o homem da cidade
tenho esses hábitos de final da tarde de ir até a praia.
eu sou daqueles de mão fina, e de pénis sem pelo.
sou o homem da cidade, sou metade burocrata, metade impostor
de mim mesmo. pentear o cabelo é aceitar um contentor mal despejada
eu que tenho despejado tudo nas batotas, esgotamentos das botijas do nada.
ando a caminhar no meio das coisas feias
as estradas andam cheias de terços
a mim me é indiferente, eu admiro aqueles felizardos estercos. secos.
têm estoque que blêizer curta, banhados de lideranças nos neurónios
eu os vejo todos de azul velvet,
eu os vejo sendo grandes democratas comendo na casa dos comunistas
são todos lindos. igual ao meu pénis sem pelo.
eu sou o homem da cidade.
as minhas barbas não esticam tanto como elástico
tudo em mim me anda afetar, a galgar o que já não tenho
só tenho os restos mortais em mim, está tudo morto
é que o meu pénis já passou o tempo de ter tesão e a própria razão anda a aceitar,
que caminhar é procurar o caminho de casa.
eu sei que vou para o degredo situado para além do inferno.
ali vivem os poetas com tesão.
eu sou o homem da cidade.
tenho esse hábitos de ir à praia no final da tarde,
tenho ido muito nos últimos anos. tenho tido úlceras falantes,
de manhã fala em voz de mendigo ao pé da igreja, só oiço toque das moedas,
criancinhas a bailarem em cheques com testículos,
sinos na boca dos santos, vinhos na boca do padre.
tenho amado aquela freira de lábios negros de maconha,
tenho amado ela como se ela fosse folgo nosso de cada dia,
tenho observado ela triste, santa. tenho cantado aleluia no corpo nua dela.
deus. ele tem sido testemunha dos meus sonhos, ele vê tudo e nele tudo creio.
so!
a tarde sou só um coitado pedindo esmolas,
na cidade é difícil mendigar o amor,
a noite sou só um mal nutrido de espírito,
que se sente melhor que deus.

17
é proibido sonhar sem poesidiotia
já não tenho muitas certezas de coisas que me eram presas na mente. ler, reconsiderar a ignorância! é que cada vez mais faço perguntas idiotas e diálogos surdos, as vezes, fico ouvindo certezas do primo que conseguiu inventar a primeira forma de poesidiotia. sim coisas mínimas que abatem, mas se esqueceu da sua poesia. eu me lembro no tempo da minha disfuncionalidade como o céu-aberto de cara desesperada ou a rossana de lente no jornal da noite: talvez eu de florzinha numa parada homofóbica. as vezes desaqueço em dizer que sou feliz assim: a arte de não dizer os porquês das coisas!
a minha invenção da poesia idiotia se baseia nas perguntas meramente obtusas: a onde é que se deve fotografar á morada do trovão? porquê que a cidade vive num estado de ataque cardiorespirasorte? porquê que a minha prima vera tem que ter afinidades com essas gentes de peleja? sim a prima vera árabe. porquê que os desempregados acham que deveriam sonhar? esta ultima, respondo eu. é proibido sonhar sem aprender as nossas ignorâncias. ainda que eu tenha que amar o israel de jesus ou colecção das suas fotografias, já o vi tantas vezes desenhando a poesidiotia. eles têm a poesidiotia bíblica, terra de tombamento, um arrebentamento desfigurado inventando somente a cargo de deus, versado num japão de olhos de einstein. as vezes eu adoro os mestres-de-obras de poesidiotia, mas partam as matérias felizes e cai os sonhos intactos

18

já não há toques, nem tintas em branco e preto que não tem
insistido em guardar as antigas batalhas públicas,
em letras e puxão da memória.

nem empedimentos, nem audiência pelas correntes das águas,
as veias sanguíneas de santiago eram só preocupações, coisas nascidas com arrados, canto verde dos milheirais.

tinha milhares de mãos e paciência de metal contra montanhas e contra a fome. incluindo palavras. e dias de incerta incertezas.

em santiago, é fácil a terra, é fácil
ter o ódio da seca. é fácil ver chuvas
nas mulheres de trança e homens de ladeira nos punhos. era fácil ser a ilha. era fácil ser mil homens de uma só vez,
depois era fácil lembrar do antigo homem sem rugas nas palavras.
é bom me ver num lugar dentro de mim que não encontro.

19

nton era nhos ki es meti korpu na selas
i nhos alma nega pur interu
dentu di selas di zunzun di silenciu
era so pedras na si prufundu stilu:
e mesmu assim nhos alma fika nteru

nton era nhos ki tradu di dentul kasa i dexa porta saradu
ku um padas di nhos sombra na rostu di koraju
era nhos ki era kes homis inpolutu
ki un parti di liberdadi foi traficadu pa silenciu!
éra nhos ki binha ku rivolta
sima kes homis ki korenti korda na ses pés ku mo
la cidadi di nome bedju

nbora nhos juventudi inda sata txeraba ku txeu odor e raiba,
sima ondia ora ki ta guarda segredu na limus verdi i salgadu
moda kes lagrimas ki sai na dispidida sen kontentamentu

oxi kes limus sta presu na kes pedras pretu ta guarda segredu
di un purgunta sem risposta.
pa tras fika un desejo
em nomi di un esperansa ratxadu na meiu di testa.

inda na kel dia ki pasaru branku bem
kel pedra fika, na paredi, na selas, na rua, na vida
i inda e fika na rin di kes presus
senpri em silenciu
sem fla ma kel otu dia serenu era 25 de abril
i na mundu ta flaba, nhos bem homis
nhos ben ki oxi é mas livri inda
mas kel pedra inda sta li mudu sima giganti graciosa.

19.1
piska dor
é un pena ki desdi pedra npena
nkantada di nomi bentu ta odja piskador ta puxa dor,
na nbera di graciosa algun stikon di txeru forti di indor
na un mo meiu visível i un stikon na boka di tibaron

na kantigas di paxenxa.
sen ten materias, i siencia
pa dikubri sekredu di baxul lagual mar.
mesmu ki na terá ses pontaria ka pa pexon
la na funfu di mar es ta fisga kes tubaron mas poderosu

si agu trabesa pa ndreta, e ka signu di sagitariu, e nen
astrologia ki ta mori na bokal lua ki ta nasi na sul
e agu tudu panorti i redias trabesadu na paxenxa
di un pexi mas grandi di ki mundu.

mesmu ki truvon rabenta na mar,
kel paxenxa ta aguenta paxenxa na palmus di mo,
si kre un sinal na texta ka ta frixifrixi.
kurason di pexera ka ta entra na krisi.

mesmu ki el kel sinhora ki banhera e si bandera ,
i mesmu ki homenagi fikaba presu na beton di kasa
sta na valdumar ku klaudiomar,
ki tinda ta prinda salmura na kantu di odju na dispidida di si pai.
mesmu asin, pexera ten kulpa brandu
nbora si maridu ta pol kornu so ora ki
nkantada txomal.- homi di mar.


20
as letras que deixei em casa!

quando me descobri não sabia deles.
eles eram maior que as casas e tetos partidos,
sem meninices, no entanto, aguçavam feias infantilidades
eram sujeitos separados de paciência,
o nome dos lindos filhos da puta,

tenho lindas letras penduradas nas grafias,
e outras tantas que figuram em trovas e cantos,
tenho varias versões de mundo que deixei na terra,
outros tantos nelas conhecei aqueles filhos da puta.

nada fez supor o perfilhamento daqueles que andam,
com empenho na barriga das longa neblina. olhos assanhados todos eles,
com más intenções na prega. obedecendo uma certa canalhice,
mais forte que escadas em direcção ao inferno, ou ao encontro dos canalhas.
provavelmente faltava algumas gotas de palavras, estão todos em casa.
já não são minhas, mas as tenho la em casa, vós me tens em minha voz.

podem fazer poesias que desejarem,
idolatrarão sempre milhões de duvidas se gostaria se sorria,
fica ao vosso cargo. poucas coisas deveria. fazer um homem feliz,
como silencio mais prolongado,
azar em antecipação, guardem todos eles no coração.

se dizia coisas feias ou um fumo afiado contra a carne da noite.
a onde habita os esforços das coisas rente a terra
rente aos esconder do sol, desfecho do último pedaço de corpo,
e um sopro nas lembranças daqueles. canalhas.

andei varias vezes tabelando calmaria em frio desgosto.
com aqueles rapazes de causa, houve fogo e sangue e manos meus.
andei varias vezes com uns filha da puta sinceros.
lindos filhos da puta.
até os escrevi em letras que está a beira da morte. ela é eterna.
o que tenho de fazer é não lamentar. elas andam a falar por mim.

O autor escreve com lettras minusculas de cabeça pensada e por rebeldia.

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Dexam Sabi Cabo Verde: Poemas de Mario Loff, inspiradas em gentes de Tarrafal...
Poemas de Mario Loff, inspiradas em gentes de Tarrafal...
20 Poemas de Mario Loff, inspiradas em gentes de Tarrafal, para serem lidos antes da chegada das festas de Santo Amaro.
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Dexam Sabi Cabo Verde
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