Abraão Vicente: Firmeza como Prova de Maturidade Democrática
Desabafo de Abraão vicente
Clareza como Escolha. Firmeza como Dever
Enquanto servidor publico sempre fui firme e nunca tive medo de tomar decisões e assumir cada uma delas publicamente.
Terminei os meus mandatos executivos com obras palpáveis, conquistas mesuráveis e sobretudo sem nenhuma queixa-crime contra mim, com todas as contas aprovadas e sobretudo: não sou nem nunca fui arguido em nenhum processo-crime. Nunca fui acusado de tráfico de influência, peculato, corrupção, ativa ou passiva. Tenho a ficha limpa nos tribunais da República. Apesar disso, em Cabo Verde, perante o olhar de todos, é exatamente quem é um arguido acusado de vários dos crimes atrás citados, quem ousa arquitetar a mais vil campanha de linchamento de carácter alguma vez visto em Cabo Verde. Como escreveu-me uma amiga: “2026 anos depois o povo continua a gritar por Barrabás em vez de defender o homem bom.” Este é o preço do silencio cúmplice e de alguma hipocrisia seletiva.
Pessoalmente, a firmeza como dever significa não aceitar que a honra das instituições e das pessoas que servem o país seja sistematicamente triturada na praça pública sem resposta. Significa não confundir elevação com passividade, nem sentido de Estado com silêncio estratégico permanente. A crítica é necessária, o contraditório é saudável, o escrutínio é legítimo. Mas há uma linha que separa o debate sério da tentativa de desgaste permanente, da caricatura, da distorção e da pressão para que quem tem posição a dilua até se tornar inofensivo.
Para justificar as críticas muitos apontam o estilo “Abraão Vicente” de estar na politica. Em nome disso tudo é permitido. Acredito, contudo, que político que apenas busca unanimidade resigna-se à irrelevância. Quando o objetivo principal passa a ser agradar a todos, a consequência inevitável é nunca fazer nada de estrutural. A história recente de várias democracias mostra que a hesitação prolongada, o medo de desagradar e a busca obsessiva por consenso artificial abrem espaço a extremos que se apresentam com aquilo que os moderados deixaram de oferecer: direção clara.
Clareza como escolha significa, não adaptar convicções ao vento do momento. Significa sustentar posições com argumentos, dados e responsabilidade institucional, mesmo quando isso gera desconforto. Significa recusar a política da insinuação e da conveniência. A democracia não exige unanimidade. Exige coragem de ser pleno nas nossas convicções. Exige responsabilidade perante o interesse coletivo. Não exige neutralidade emocional. Exige integridade.
Assumo as consequências das minhas escolhas. Vejo clareza e firmeza não como traços de confronto, mas sim como traços e provas de maturidade democrática. Assumo essas características como parte da minha personalidade pública. E numa democracia madura, quem escolhe e decide não pede licença para pensar, nem abdica da própria convicção para evitar polémicas. Precisamos de convicção serena, não de unanimidade artificial.
Tal como sempre continuo firme, sereno e convicto.
Es bom de escrever, tens uma sensi de ver as coisas, para de vítimismo
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