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Passos na Escuridão

o amor não requer grandes declarações para ser sentido ela se exala com prontidão.

Descemos pela rua da Achadinha e seguimos pela estrada até à rotunda da fazenda. O sol das onze horas fazia sempre a mesma coisa antes do meio-dia: calor e um ar quente que emanava do chão. Talvez Achadinha seja isso, um lugar de pessoas calorosas que nunca descansam na busca por uma vida melhor. 

Planeávamos apanhar um táxi, mas estávamos tão imersos em diversas conversas que fomos de um assunto para o outro sem perceber o tempo passar. Quando chegámos à rotunda, vimos duas vias à nossa frente: uma que levava à paragem dos carros que seguiam para o interior e outra via destinada às pessoas com os seus próprios veículos. Queríamos evitar perder tempo, mas continuámos à procura de um novo assunto, que não chegava; o silêncio acabou por reinar. Pensávamos na ausência dos próximos três dias em que não nos veríamos.

Virámos-nos para olhar a avenida ao sul e o acesso ao norte, que levava ao interior do país. Batemos palmas, uma na mão da outra, e tocámo-nos. Já falávamos há cerca de um mês, mas era a primeira vez que nos tocávamos. Não dissemos uma palavra; o sentimento maior já estava óbvio, sem necessidade de comentários ou análises, pois o amor não requer grandes declarações para ser sentido ela se exala com prontidão.

– Porque não vens connosco para o interior? – perguntei.

-Connosco?

-Eu e meu carro!

– Queria ir, mas a pergunta não queria que eu fosse – respondi, olhando ao redor e colocando as mãos no rosto, e ela um tanto constrangida.

– Desculpa por ter feito essa pergunta – sorriu timidamente. E ela fez novamente a pergunta:

– Queres ir comigo para o "interior do interior"?

– Sim, quero ir contigo para esse tal "interior do interior". Aliás, onde fica exatamente?

Ela respondeu enigmaticamente: "Vais descobrir".

Fiquei a imaginar onde seria esse "interior do interior". Pelo olhar dela, pude perceber que era algo guardado dentro de si, esperando ser revelado.

Antes de partir, passámos pela Sucupira em busca de roupas adequadas tanto para banhos quanto para passeios. As cores vibrantes das roupas misturavam-se às cores das frutas, enquanto diferentes línguas representavam novas formas de ser e sentir Cabo Verde, apresentando-se diante de nós.

Enquanto caminhava à minha frente, a uma curta distância, o rosto dela assumiu uma expressão infantil e ela sorriu; no entanto, foram os seus cabelos coloridos que representaram um país repleto de cores.

Embora eu não me sentisse plenamente feliz naquele momento particularmente especial, era como se estivéssemos num país feliz, quando sentimos todas as suas cores vivas dentro de nós.

Mais adiante, encontrávamo-nos no meio das vendas que davam acesso a outra parte das paragens, onde a viatura nos esperava. Adquirimos roupas, comida, bebidas, comprámos doces, comemos petiscos de uma barraca senegalesa e sorrimos ao pôr comida na boca um do outro, mas os nossos olhos fugiam um do outro. Ela tirou os óculos de lente dos olhos dela e colocou-os nos meus. 

– Se eu fosse um homem e tu uma menina, beijava-te aqui. És lindo com esses óculos, os meus óculos.

– É a tua forma de dizer que sou bonito?

– É a minha forma de dizer que é fácil apegar-me a ti.

– Estás apegado?

– Estás apegada?

– Nunca me apegaria a uma pessoa como tu, mas nunca negaria estar longe de uma pessoa como tu.

– Como é isso? O que queres dizer?

– Diz-me, diz-me o que estás a pensar.

– É um absurdo.

– Não fazes ideia de como a vida é um absurdo.

O ar estava carregado de estranheza, um momento inesperado, apesar dos sinais claros de que queríamos compreender-nos. Já tinha preparado os meus medos para libertar junto com os dela. Mas alguém que diz o que ela me disse é alguém que já não tem medo de nada, nem mesmo de partir daqui.

Ficámos a olhar um para o outro, entrelaçando os dedos, observando-nos por instantes que pareceram anos. Ela estendeu a ponta dos dedos e tocou os meus, começando a cantar.

O chão molha-se com as águas que as senhoras despejam a partir da cozinha, e as moscas divertem-se no ar ao vapor da água lançada. Faz calor, e na sua testa formam-se pequenas gotas de suor. Os comerciantes juntam-se e sentam-se em todas as mesas, retomando o burburinho e a mistura de línguas: crioulo, bem e mal falado, wolof, e o crioulo da Guiné preenchem o ar. Tento escrever numa língua que estabeleça uma conexão com todas aquelas línguas, mas não consigo descortinar uma que una os homens em verdadeira sintonia durante a hora do almoço.

De repente, dois rapazes correm com caixas na mão, perseguidos por três polícias armados. O cenário muda, o medo instala-se, as mães pegam nos filhos pequenos, os vendedores ambulantes agarram os seus pequenos negócios. Perto do muro que protege os restaurantes dos quiosques, os miúdos roubam aparelhos de som, e um homem apanha um rapaz de aparência frágil, com cerca de quinze anos, e grita:

– Mata, mata, mata ladrão e bandido!

– Mas ele ainda é tão jovem.

– Ladrão é ladrão, não importa a idade.

O sol parecia moer os neurónios e a paciência das pessoas. Nesse momento, ela canta. 

Os pombos alojados na outra parte da Sucupira voam em sobressalto, e os gansos recém-chegados do norte do país soltam berros que se misturam com a sua voz. 

– Meu Deus, Inshallah, ela canta! Buba, ela canta! – comentou, abraçando Aboubacar Traoré.

– Ela canta, Bhadianii.

O espanto e a alegria fundiam-se, e dentro de mim, a felicidade e a percepção da sua grandeza deixaram-me sem reação. Era o poder da música. Todo o espaço parou, como se a paz ganhasse substância e a vida inteira de Sucupira fluísse na sua voz. Ela variava os tons, e cada variação era um novo espanto. Senhoras e jovens choravam de alegria, uma alegria ao serviço do fantástico. Por momentos, ela era demasiado para mim. Compreendi que a sua dimensão não podia ser contida por ela mesma.

Calmamente, ela calou-se, e as pessoas mostravam-lhe vídeos dela a cantar. Ela respondia:

– Guardem com carinho, e lembrem-se sempre com carinho.

Ouvia as suas palavras sem entender a profundidade, a exata mensagem estava à minha frente, mas não tive a coragem de explorar para compreender o que ela queria dizer. Saímos pela parte de trás de Sucupira e levámos as nossas coisas em silêncio, olhando para a viatura preta à nossa frente.

Seguimos pela avenida e, no mesmo instante, o semáforo fechou. Ficámos a aguardar a luz verde. A sua mão no volante estava relaxada, com duas unhas pintadas de vermelho e duas da outra mão pintadas de preto. Toquei levemente na ponta do seu dedo mindinho, e ela sentiu o meu toque, sorrindo discretamente.

– Então, só nós é que vamos para o interior?

– Não, claro que não. E as compras que fizemos?

– É verdade, elas vão connosco, apesar de não apreciarem o quão bonita és.

Ela sorriu sem tirar os olhos de mim, mas apontei os dedos para o semáforo que abriu.

– Oh, aqui vamos nós para a Terra do Nunca.

– Terra do Nunca?

– Sim, a Terra do Nunca, como aquela dos livros.

– Se pudesses ser uma personagem de uma obra literária, qual serias? – perguntei, com uma certa malícia, esperando que ela não respondesse, talvez até fosse uma das muitas pessoas que não têm paixão pelos livros.

– Gostava de ser metade Rosa, e a outra metade Frankenstein.

– Mas porquê uma mulher rebelde e um quase humano?

Ela manteve-se em silêncio. Seguimos pela estrada carregada de curvas. Naquele momento, o crepúsculo já tinha terminado e a escuridão dominava a estrada, com os faróis do carro a esforçarem-se para penetrar na bruma seca. Ela ajustou o boné, virou a cara e sorriu. Eu apenas a observava, sem reagir, mas pensando longamente nas personagens que escolhera. 

Há meia hora que deixámos a cidade, e ela confidenciou-me que tinha de apanhar um primo em Assomada, mas que só tinham falado ao telefone.

– Como é o teu primo?

– Não sei como é ele, mas reconhecê-lo-ei pela voz. Foi o meu tio lá de casa que falou com ele, e combinámos que eu lhe daria boleia em Assomada para o levar ao Tarrafal. Ele vai passar uma semana de estudos sobre a prisão que lhe foi pedida na universidade.

– Prisão? Neste caso, é o antigo campo de concentração?

– Sim, acho que é lá.

– Sabes que o pai da Rosa trabalhava lá?

– Que Rosa?

– A personagem.

– Ah, certo. É verdade, lembro-me dessa parte. Ela tornou-se uma mulher forte quando percebeu a sua perda.

– Sempre evoluímos diante da dificuldade.

– Uma vez conheci uma amiga, que hoje vive na outra parte da cidade, que não sabia beijar. Arranjou um parceiro que não sabia nada de intimidade, e a relação esfriou. Para salvar a relação, ela resolveu aprender, até que engravidou. Mas o parceiro acabou por conhecer outra pessoa e apaixonou-se perdidamente. Sabendo disso, a minha amiga sofreu durante algum tempo e não aceitou a situação até descobrir que estava grávida. Então, o parceiro deixou a namorada do trabalho e ficou com a mãe do filho que estava para chegar. Contudo, o médico anunciou que era uma gravidez de alto risco e a solução era interromper. Ela negou terminantemente. Seguiu em frente com coragem, mas aquilo já a estava a transformar noutra coisa. Às vezes, é assim; eles crescem dentro de nós e, a cada dia, descobrimos quem somos: ferozes, rudes, manhosos, odiosos, amorosos.

– E como ficou com ele?

– Perdeu o bebé e separaram-se. Ele voltou para a namorada do trabalho. Depois de alguma paz, a minha amiga começou a espalhar notícias e factos sobre o antigo relacionamento, conseguiu perturbá-los e tirou-lhes a paz. Tornou-se irreconhecível. Foi uma situação estranha.

– Como assim?

– No tempo em que ela cumpria o papel de má mulher, cuidava-se mais e tornava-se muito bonita e desejada por outros homens. Mas o foco dela era a vingança, recuperar o seu parceiro, que já esperava outro filho e tinha uma nova família. Isso acabou com ela, e ela esqueceu-se de cuidar do seu corpo, que se tornava cada dia mais belo. O ódio é uma distração que ganha vida e caminha sozinho.

– E depois?

– Quando entendeu que os anos tinham passado e o filho do seu antigo parceiro já tinha ido para o jardim-de-infância, percebeu o quanto tempo perdeu a fazer o mal. Agora, se fores ao cemitério, ela estará lá, com o seu nome em letras garrafais.

Não queria ouvir nem desejar aquele final. Depois de ouvir o que aconteceu com ela, dói ver pessoas a perderem-se. O amor, às vezes, é isso: algo tão fantástico, frágil e capaz de abalar o mundo.

Chegámos a Assomada às nove da noite. O frio fazia-se sentir sem qualquer respeito, e cada vez que falávamos, parecia que ele respondia, formando nuvens de vapor que podíamos ver e quase tocar. À nossa frente, havia uma longa lomba com dez faixas brancas. À parte de trás da viatura, as luzes das casas refletiam-se no interior. Apanhámos as bolsas, retirámos dois cachecóis e mais casacos, e abrigámo-nos à espera do homem que tinha de apanhar boleia. Ela colocou a cabeça no meu peito e ficou a olhar para a lua. Respirámos o frio que embaciava o para-brisas até que adormeci.

Só me lembro de palmadas nas costas e uma multidão de pessoas à minha volta. As portas da viatura estavam fechadas, alguns choravam, muitos outros fotografavam. Ela ainda estava no meu peito, a dormir. Bati na cara dela e senti o sangue a molhar a minha mão. Entrei em pânico, desesperado e a chorar, sem entender, até ver as palavras escritas no para-brisas:

-Eu gosto da Rosa, porque ela sorria em silêncio, e sempre escolhe sorrir sozinha. Frankenstein voltou à vida e encontrou o seu criador. 

Na sua mão ainda estava o papel já frio que revelava o seu estado terminal de câncer. 

Nos últimos anos, na mesma data, percorro as rodovias de Santiago à procura daquele homem. Para mim, há uma ligação entre ele e o desejo dela de falar sobre Frankenstein.

– Na verdade, amo-a, e um dia voltarei com ela para a vida.

Mario Loff

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Dexam Sabi Cabo Verde: Passos na Escuridão
Passos na Escuridão
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